Aceita. Escreve. Medita… as ideias hão-de vir.

aceita

Aviso: Este artigo contém ideias sobre meditação, o seu possível contributo para a escrita, o valor dos apontamentos, desbloquear o pensamento criativo e muitas opiniões pessoais sobre a forma de encarar os dias.

Admitir é meio caminho andado para a cura. Sempre ouvi dizer e até se formou uma espécie de anedota disto.

Aperceber-me do que se passa, e aceitar que esse algo me está a afectar, representam mais uns passos para me sentir melhor.

Notar o que existe dentro de mim, e à minha volta, é um recurso retirado da prática da meditação que uso naquilo que escrevo.

Respirar, focar no acto da respiração, deixar os pensamentos fluírem e continuar a trazer a consciência de volta ao momento presente cada vez que ela se escapa; é o básico do acto meditativo.

Um exemplo de uma meditação guiada:

Era jeitoso ser uma grande filósofa, uma conhecedora de muitas coisas, uma conjugadora de informação, ficção e crença que produz valor meditativo… mas, sou só eu, com todos os pensamentos que ficam aquém do que, suponho ser, constatações que poderiam servir os outros de formas construtivas e incentivadoras.

E, no entanto, aqui continuo a apontar, de várias formas, as ideias que absorvo, transformo e reutilizo.

Seja uma lista de tarefas, um plano de conteúdos, um conjunto de citações, um journal, umas páginas matinais, uma agenda, um caderno de notas… seja em formato papel ou digital, ou ambos… seja um apontamento real ou uma ideia ficcional… todos estes meios fazem partem da recolha de informação para uso na minha arte.

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Bullet journal e Morning Pages journal e café com leite… tal como eu gosto.

Todos estes meios são uma auto-reflexão que me permite olhar para o mundo que me rodeia (neste momento, imperfeito até ao ponto de uma pandemia seguida de uma guerra injusta) e encontrar um sentido nisto tudo.

E, em simultâneo, são um registo constante do que se passa dentro de mim, e de como aceitar me ajuda a conviver com a realidade, e a convidar a criatividade a fazer a sua cena.

Admito que preciso de compreender o que se passa no mundo e o impacto profundo que isto tem em mim.

Apercebo-me do que se passa, e sei (procuro saber) que práticas estão ao meu alcance para minorar os efeitos desagradáveis da situação.

Notar o que é, respirar fundo, aceitar e deixar ir, sem ser arrastada por uma avalanche emocional destruidora, é o melhor que posso pedir de mim própria.

Afinal, são das minhas tentativas em compreender-me e ao mundo que me rodeia que nascem as histórias, artigos, apontamentos, notas, entre muitas outras coisas que escrevo.

E, é isto, esta convicção que muitos outros, antes de mim, procuraram compreender-se a si e ao mundo em que viviam, que os levou a escreverem coisas que ainda hoje nos tocam de formas inesperadas.

autores

Mas, em última análise, não importa o que faço. Apesar de usar aqui o “Eu” não é apenas de mim que falo. Não importa o que eu faço, com as coisas com que me cruzo, neste mundo.

O que é, realmente, importante é o que Tu fazes com elas.

Notas o que se passa contigo e em teu redor? Pensas sobre isso? Apontas o que te serve? Abres o espaço necessário para que essas coisas contribuam de forma positiva para o mundo? Deixas que a tua criatividade apareça através destes instrumentos?

No meio de tantas palavras que escrevemos, num desses blocos de notas, há uma que se revolta e se recusa a desaparecer da nossa consciência. Há uma emoção que subsiste e nos deixa a contemplar o que podemos fazer com ela. Há um início de algo que usamos, mais tarde, na nossa prática criativa. São sementes que germinam quando as plantamos noutros sítios.

Os actos de Notar e Apontar são mais de metade do trabalho de uma pessoa criativa. Usemo-los com intenção e o resto… a história nova, a reviravolta que precisava, a dimensão daquela personagem… aparece na nossa consciência como se por magia. Provocando magia mas, sem ser. Um fruto do trabalho-sombra que fazemos antes.

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Referências:

  • “The Artist’s Way”, Julian Cameron (ISBN 9781585421466)
  • On a Scale of 1-10, How Distressed Do You Feel?“, Chris Guillebeau
  • “Revision & Self-Editing”, James Scott Bell (ISBN 9781582975085)
  • “Big Magic”, Elizabeth Gilbert (ISBN 9781408881682)
  • “O Método Bullet Journal”, Ryder Carroll (ISBN 9789892343617)
  • “Mindfulness: An Eight-Week Plan for Finding Peace in a Frantic World”, J. Mark G. Williams, Danny Penman (ISBN 9781609611989)
  • “Flow”, Mihaly Csikszentmihalyi (ISBN 0060920432)
  • “Bird by Bird”, Anne Lamott (ISBN 9780679435204)

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