Qual é o teu Método de Escrita?

método de escrita

Esta semana, enquanto embrenhada nos ritmos muito próprios de um NaNoWriMo, e da execução de uma nova história, fiquei com a sensação que precisava colocar as cenas sob uma nova perspectiva.

Gosto de planear. Gosto de esmiuçar pormenores, de planear Universos, de conhecer aquilo que vai no coração das personagens e, de preferência conhecer, de facto, os locais onde decorre a acção. Gosto de saber por onde começo, e de ter ideias sobre os sítios por onde passarei, até entregar aquilo que me propus ao magicar uma história.

Isto é tudo muito giro. E, até aparenta ser muito certinho. Não fosse uma total manifestação da minha necessidade de manter o controle. De certinho, este processo não tem nada.

Prega-me rasteiras a cada curva. Quando penso que pode ser assim, acabo a ver ali uma coisa que faz com que tudo seja assado. Quando magico uma coisa, surge outra que revoluciona tudo aquilo em que estive certa que me iria concentrar. Perco o fio à meada para chegar a duvidar se alguma vez voltarei a encontrá-lo.

E, assim, prossigo a escrevinhar planos de cenas.

Por tradição, e simplificando horrores no que cada um deles significa, como executantes dividem-nos em duas categorias:

  1. Seat-of-the-pants – que, sinceramente, só me ocorre traduzir como Improvisar. Usar este método significa escrever tudo à medida que as coisas surgem, numa abordagem mais dinâmica, e pouco atenta aos pormenores, que são verificados/editados mais tarde.

2. Outline – que significa construir um plano cuidado, com temas e cenas e personagens, e manter a história guiada através desse plano. Significa manter o controle apertado sobre aquilo que se pretende escrever em cada cena.

Estes são os tipos de metodologias de escrita que a maioria de nós conhece como os tipos-base. Entretanto e, se lerem o Capítulo 4 do livro “Writing Fiction for Dummies“, podem apreciar mais dois métodos:

3. Edit-as-you-go – que significa não planear aquilo que se vai escrever, mas passar grande parte do tempo de escrita a efectuar a revisão daquilo que se está a escrever.

4. Snowflake – significa criar um plano detalhado daquilo que se pretende escrever, mas possibilitando que o plano seja alterado à medida que vamos seguindo o caminho próprio da nossa história.

Uso tudo e não sou fiel a nada.

Por tradição, e a princípio de executantes de escrita de ficção, tendemos a começar por aqueles métodos que dão menos trabalho. Os mais impetuosos e criativos que, ao fim de umas quantas tentativas, mais ou menos bem sucedidas, acabamos por adaptar com particularidades dos outros métodos.

Por fim, se tivermos sorte e interesse suficiente para prosseguir nesta nossa grande tarefa de escrever ficção, acabamos por descobrir a nossa própria grande formula… apenas para aquele projecto.

Habitualmente, dou comigo a conjugar as diferentes partes destes métodos, que funcionam de forma muito particular para um determinado projecto, ou ponto do projecto em si. Depois volto à confusão de entender o que melhor resulta. Sempre a tentar fazer com que a história avance e não morrer de tédio, ou indecisão, enquanto a construo aos poucos.

Sou sincera, adorava poder ser puro Outline. Chegar aqui, aproximar-me da história num ponto, trabalhá-la na sua evolução, concluí-la de forma limpa, e produzir aquilo que me propus a criar de uma forma, excruciantemente, planeada e certinha.

Mas, por mais que a ideia me agrade, essa nunca serei eu, ou o meu método de escrita.

E, mais uma vez o provo, neste NaNo de 2020. Não há nada de certinho neste meu “Fogo e Gelo”. Também, não sei do que estava eu à espera, num ano tão sui-parvo-generis como este.

Passei de um meio plano para um plano inteiro. De uma lista de cenas fulcrais, para não terem sequer espaço na trama… incluindo a cena da ideia original. Era inadequada, aparentemente. Mudei tudo e voltei a mudar. E, quase a tocar as 23 000, volto ao plano. Como podem começar a apreciar aqui nesta foto… e, entretanto, já viu adicionadas mais uma página e dois versos das folhas…

Pensando bem, passei de uns anos de apontamentos para trinta dias de execução. Era de confiar que já teria tudo no plano… Parece que não.

Sinto-me  naquela fase em que revejo tudo. Onde percebo o que falta, ou rezo para ter percebido como deve ser… A fase em que não sei como vou fazer isto tudo funcionar em conjunto, quando tudo o que oiço são vozes dispersas, numa harmonia coral tão desafinada.

No Plano do NaNoWriMo, o dia 11 é o dia de “ficar para trás” e o dia 12 é o dia da chávena de café… Faz sentido. Falta-me café!

dia 12 do NaNoWriMo

Obrigada…

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