Opinião: ‘Being Creative’ de Michael Atavar

Being Creative Michael Atavar

Como ser Criativo? O que nos torna Criativos?

É algo inato ou aprendido?

Podemos desenvolver a nossa criatividade, mesmo quando acreditamos que não temos nenhuma?

Estas são algumas das perguntas mais comuns quando se fala em Criatividade. As respostas rondam o “Sim.” “Tudo.” “Ambos.” e “Absolutamente que sim.”.

Being Creative” apresenta-nos estratégias, exercícios e formas de ver, que nos ajudam a encontrar as nossas próprias respostas a estas perguntas.

Confesso, escrever uma Opinião sobre qualquer livro cujo tema é a Criatividade, após ler ‘Big Magic’ de Elizabeth Gilbert, é um desafio curioso. Mas lá consegui. Acho.

Não significa que ‘Big Magic’ cubra todos os pormenores ou processos, ou sequer toque algumas coisas mais práticas como exercícios e estratégias reais e aplicáveis, porque não o faz. A minha dificuldade prende-se com a visão geral de todos os temas recorrentes nas mentes daqueles que procuram (ou não sabem como evitar e serem felizes) uma existência criativa.

‘Big Magic’ toca tudo… ou quase.

Contudo, ‘Being Creative’ para além daquele aspecto, e sensação espectacular, de livro de capa grossa e folhas criativas que nos convidam a… escrever e rabiscar e desenhar, apresenta-se como um verdadeiro kit de ferramentas.

Este é um livro que é, em si mesmo, um convite a brincar com a nossa criatividade.

É um conjunto de ferramentas, ou jogos, que se propõem a ajudar-nos a crescer como criativos. Nas suas cinco partes: Começar, Processo, Persistência, Metodologia e Terminar. Com vinte lições-chave para praticar.

I see creativity more as a currency, day-to-day breathing, what’s in front of you: not something elevated or obscure, but the everyday seeing of each of us.

Encontramos exercícios a usar quando precisamos Começar algo, Desbloquear e/ou Aprofundar. Histórias que o autor partilha connosco sobre as suas experiências. Incentivos para descobrirmos e trabalharmos no nosso próprio processo criativo.

Encontramos, também, em cada página ilustrações e citações, reversões de espaço, horários e calendários, num livro que é, em si mesmo, uma expressão de criatividade artística… E, claro que só podia ser uma publicação independente.

All projects begin by trying to activate a thought or an idea into form and substance. The difficulty os that act, of moving them forward into the real, is part of the process. In fact, is really the whole story.”

Fornece algumas ferramentas, usadas e testadas pelo autor, para que o Início se torne real e saibamos como começar. Incentiva-nos a usar as nossas falhas e a nossa individualidade para criarmos a nossa obra sem medo.

Since creativity is awareness of what is around you, the action of saving these observations in your notepad renders them real, authentic.”

Incentiva o uso de blocos de notas e listas, fala sobre trabalho experimental, sobre encontrar ideias no caos e mudar o ambiente, para que possamos ver as coisas de forma diferente. Sobre sair do familiar para alimentar a criatividade e, onde e como, reunir ideias.

Em Persistência, explora como a criação de hábitos e a estipulação de objectivos diários ajudam o criador a regressar à página em branco e à sua prática de escrita.

We fantasise about the imperial peaks of writers, creatives, artists, but essentially they are working every day to achieve small, local goals.

E, é nisto, que muitos de nós somos apanhados: na prossecução de trabalho diário para cumprir pequenos e definidos objectivos.

Eu sei que acontece comigo. A luta diária de Sara vs Secretária…

Todas as obras de arte são uma acumulação de detalhes. Click To Tweet

Formar hábitos que nos tragam até à página em branco (ou obra), durante um qualquer bloco de tempo diário, é o combustível que torna possível criar qualquer obra. É o acto de repetição que nos permite acrescentar algo todos os dias.

Como estacionar um carro. Levei meses de prática DIÁRIA até ter a confiança para estacionar naquilo que antes acreditava ser ‘o pior sítio possível’. Agora, os sítios são quase todos iguais. Ou o carro cabe, ou não cabe.

Repetition is useful as it allows you to relax into making.

Com a escrita é a mesma coisa. Aparecemos todos os dias. Escrevemos, ou pintamos, ou esculpimos, ou bordamos, o que quisermos durante o bloco de tempo que definimos para isso. O hábito instala-se e podemos começar a experimentar com as nossas artes até atingirmos o que sabemos ser o resultado que queremos.

Há tantos paralelismos que podemos fazer entre os conteúdos deste livro e as nossas práticas criativas que tinha exemplos para mais meia dúzia de páginas. Não vos vou torturar com isso. Afinal, também sei que se falhasse mais, não sei o que era… Mas tento.

Apareço. Umas vezes executo. Noutras nem por isso.

Sei que estou sempre À Procura e, daí esta minha demanda em busca da Criatividade. Espero que isso atenue tudo aquilo que ainda não consegui organizar na minha mente (como esta ansiedade) e prática criativa regular.

Perhaps this underlying theme of kindness is intimately connected with ‘inside journeys.’ The journey allows the warm qualities of exploration to penetrate the tough core of relentless work. Be kind to yourself – these adventurous journeys away from your desk can offer solutions that are quite unexpected.

O processo que usamos gera ideias criativas. A nossa realidade pessoal assim como o que usamos para registar ou descobrir ideias. É o processo que pode fazer a diferença.

A direct question: how can you develop yourself further?

Em Recursos, a quarta parte deste livro, encontramos ideias como o que temos e que, muitas vezes, ignoramos em prol do que achamos que devíamos ter. E, como Criatividade significa explorar o que existe dentro de cada um de nós.

Fala-nos sobre “estar preparado” como parte da nossa caixa de ferramentas criativa. Sobre adaptar o “banal” e transformá-lo no “diferente” apenas com uma acção simples. Sobre a alteração da percepção e como isso ajuda a nossa criatividade.

Often we overlook what we have in the rush for the big idea.

Desafios e Dificuldades, a última parte deste livro, fala-nos sobre o fim dos projectos. Sobre a dificuldade em dar algo como concluído, o pedido de permissão que aguardamos e as confusões que concluir uma obra pode gerar.

Não retirando qualquer valor aos capítulos que ficaram para trás, este último não me caíu bem. Pareceu-me algo mal conseguido, na minha opinião, com um final abrupto, cheio de clichés e mal executado. Um acabar só porque sim.

The world of creativity is not a series of abstract, mathematical principles, a data set that can be rigorously applied. It is formed from your enthusiasm, persistence, willingness, uniqueness. If you develop your own self, your creativity will naturally flourish.

being creative

Gostei do que acrescentei à minha busca pela criatividade, dos exercícios e daquela última e grande ideia de que a criatividade somos nós. Não é externa, volátil, ambígua ou inexistente.

A criatividade é aquilo que alimentamos em nós, quando estamos a viver. Click To Tweet

Sei o que não tem fim: a minha busca pelos meandros da criatividade. Afinal, o que somos senão aquilo que alimentamos em nós?

E, este ano, é a vez de SIM.

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