Como Escrever para vários projectos em simultâneo?

projectos em simultâneo

É normal ler vários livros em simultâneo. É frequente acompanhar várias séries em simultâneo. É natural ouvir um audiobook enquanto limpo qualquer coisa cá em casa.

E, ao fim de vários anos de teste-e-falha, sei que é possível escrever para vários projectos no decorrer do mesmo dia… mas tem sido um longo caminho até chegar aqui.

Da mesma forma que procurei como escrever um conto, compor bons diálogos, diferenças entre Mostrar e Contar, a quantidade de palavras que formam este ou aquele género literário, os arquétipos literários existentes, onde encontro ideias para as minhas histórias, ou como manter a criatividade a funcionar…

… tenho sido uma ávida pesquisadora de ideias e metodologias que me mantenham motivada e que melhorem a criatividade… sempre focada em criar o que mais gosto, sem precisar de décadas para cada projecto. Porque, se me deixarem entregue a mim, sou lenta desta maneira…

Como? Explico tudo…para que possam testar se funciona convosco.

Para começar, admito que sou viciada em descobertas que melhorem a produtividade.

Nem sempre as entendo, ou funcionam comigo, ou as uso para os princípios para as quais foram desenhadas (é só lerem este artigo aqui, em que procurei relacionar e aplicar os princípios da Gestão de Projectos aos meus projectos escritos, para compreenderem o efeito da coisa).

Tenho perseguido esta paixão porque, quero entender a produtividade criativa, para poder estabelecer ritmos de trabalho que me sirvam.

Assim, encontrei 7 pontos que procuram responder à questão: ‘Como Escrever para vários projectos em simultâneo?’

  1. Ter uma noção de produtividade e do que os vossos objectivos envolvem em termos práticos.

É essencial saber o que cada projecto requer de nós. Quanto tempo, informação, pesquisa, inspiração, estratégias… Conhecer bem o que queremos fazer é essencial para podermos construir vários projectos criativos em simultâneo.

Aprendo a construir um projecto, a medir o seu desempenho, e a avaliar como ele se relaciona com os outros. [Ahhh, esta vida em sociedade]

Estes temas, sobre produtividade, desempenho e criação, interessam-me de facto, pelo que gosto de ter sempre um livrito à mão que fale sobre algo relacionado com isto.

Neste domínio, deixo algumas sugestões de leitura:

  • “Seja o seu próprio Life Coach” de Jeff Archer
  • “O Método Bullet Journal” de Ryder Carroll
  • “Being Creative” de Michael Atavar
  • “Drive: The Surprising Truth About What Motivates Us” de Daniel H. Pink
  • “Turning Pro” de Steven Pressfield

Podia continuar, porque aconselho a leitura de muitos mais, para além dos que constam nesta lista.

Outra particularidade deste meu interesse pessoal pela Criatividade, e pela compreensão daquilo que nos impulsiona a criar, prende-se com um interesse pelo acto de Criação em si.

2. Aproveitar conhecimentos de outras áreas para uso nos nossos projectos e usá-los

Repararam que os escritores escrevem muitas histórias sobre escritores? É interessante… ou será? Escrevemos sobre o que sabemos e sobre o que procuramos entender.

Não procuro conhecer apenas como criar escritos, textos, géneros literários. Procuro os meandros de criatividade em todas as outras áreas de conhecimento e actividade. E, não apenas na artes. A gestão, as invenções mecânicas, a mudança social, entre outras áreas, são tão inovadoras quanto criativas.

Assim, dou comigo interessada em documentários, filmes, museus e outras coisas que tais, apenas com o intuito de compreender como funciona a Criatividade e o Acto de Criar.

Não posso dizer que retenho tudo aquilo que leio ou vejo. Acredito que sou uma pessoa bastante mediana nas minhas capacidades cognitivas. Por isso, aqui não se trata de comparar nada.

Sugiro apenas que sigam os temas de que gostam porque esses são mais rápidos de se fixarem na nossa memória.

Mantenham a ideia que, podemos não saber bem porque perseguimos determinados temas mas, ao fim de uns tempos, todos eles servem de material, do qual dispomos para outros usos, sem nos darmos conta.

FLOW

O conceito de entrar num estado de absorção total pelo que estamos a fazer, que às tantas parece que certo resultado criativo estava destinado a acontecer, ganhou projecção mundial nos últimos anos.

3. Estabelecer um horário e uma duração, em cada dia, para dedicar a cada projecto, para podermos ganhar balanço quando estamos a trabalhar nesse projecto específico.

Ter uma forma de apresentar cada projecto, com as suas características específicas, de uma maneira simples, e tão imediata quanto nos for possível. Há quem use blocos de apontamentos, cartões, placares na parede, aplicações específicas… usar o que funciona para articular os vários projectos é determinante.

Já experimentei uns quantos e, de há uns anos para cá, que advogo que cada projecto pede o seu método específico. No entanto, começo a ver as coisas de outra forma, e a precisar testar melhor esta teoria. Se calhar, só precisam mesmo de repetição…

Mais uma leitura que aconselho:

  • “Flow: The Psychology of Optimal Experience” de Mihaly Csikszentmihalyi

Serviu-me para compreender as bases da motivação, da criatividade e do processo de atenção indivisa ao que estamos a fazer, e que possibilita criações únicas. Relembra-me que preciso de mais do que um minuto para entrar no estado em que a produção é “automatizada” e portanto, menos dependente de extremo esforço para criar algo.

Inspiração

Mas, neste processo de perseguir o que me motiva/inspira a fazer qualquer uma destas coisas, leitura incluída, avanço já com a ideia de que nem todos os métodos são científicos.

Interessa-me, como mencionei acima, conhecer os argumentos científicos, as formas físicas de como o conhecimento se forma mas, não são apenas estes os pontos que me ajudam a reunir o que necessito.

Alguns dos métodos que uso são lúdicos e outros são mesmo mais metafísicos.

cartas de objectivos
Um exemplo de um incentivo mais metafísico são estas cartas de foco (colagem) que criei.

4. Ter projectos diferentes nas suas características, para que não se confundam uns com os outros quando estamos a trabalhar neles.

Se estamos a escrever dois livros de ficção científica em simultâneo, vamos acabar por baralhar tudo e, até, desistir dos dois.

Porque não escrever um livro e um conto? Ou um processo de investigação e um romance? Um poema e um blog??? Vale tudo, desde que não se misturem.

O processo de apreciar algo que estou a fazer, como por exemplo: desenho muito mal e, no entanto, aprecio o acto de desenhar, pelo que costumo reservar algum tempo para ele. Gosto de desenhar. O que interessa se desenho mal? Se ao invés de um risco, faço dois? Retiro um prazer genuíno de reproduzir pequenas imagens e é isso que faço.

Ou participar em desafios criativos ligados a outras áreas que não a escrita. Cada produção traz os seus contributos especiais para a minha escrita, mesmo que eu não os veja em todos os momentos.

Métodos menos científicos, ou mais metafísicos, como gosto de o apelidar, consistem em coisas como cartões de foco, colocar objectivos em suporte papel, por imagens, manter alguns expositores de objectos alusiva ao Espírito ou a Crenças pessoais.

Uso muito a memória visual e sirvo-me dela para os lembretes que necessito. As imagens acabam por ir parar à parte gráfica dos diferentes projectos, no blogue, nas capas dos meus cadernos de notas e na reunião física de informação inspiradora.

Cada um destes processos servem a minha perseguição por Criatividade e a intenção de me manter Produtiva e Inspirada.

5. Favorecer projectos que se complementam e cujas sinergias nos trazem um conhecimento mais aprofundado do tema.

Aproveitar as actividades que gostamos de fazer e criar sinergias entre os projectos.

Porque não tirar fotografias enquanto dou um passeio? Posso praticar fotografia, apreciar o acto, passear, descansar e, uns dias depois, tenho uma base de dados de imagens para utilizar nos restantes projectos criativos. Arranjo imagens para os blogues, Instagram, capas dos meus escritos, e mais o que venha… e sem problemas com os direitos de autor pois é tudo feito por mim.

Ou se estou a estudar um tema, por exemplo, o Estoicismo, porque não usar a informação noutros projectos escritos? Num poema. Em artigos para o blogue. Sinergias poupam tempo.

6. Não ter medo de experimentar

Experimento a maioria dos processos de outros, para ver se funcionam comigo. Não me importo de “perder tempo” a testar uma qualquer rotina ou um ensinamento específico.

Neste ponto, autorizo-me a experimentar sem medos. Se funcionar, integro. Se não resultar, descarto. Se imaginar melhor, adapto.

Foi assim que passei ano e meio a acordar às 6 da manhã para escrever (o que serviu a minha vida da altura na perfeição!). Foi assim que passei o despertador para as 7:30 da manhã, quando o horário da 6 deixou de fazer sentido.

Foi assim que integrei ler por cinco minutos sobre algo para, a seguir, escrever sobre isso. Ou, agendar sprints de escrita, ao longo de cada dia, para projectos que exigem mais tempo dedicado.

Procuro desmontar a procrastinação com incrementos de pequenas acções. 5 minutos para isto, e 5 minutos para aquilo, ou sprints de meia hora, ou tarefas encadeadas ou complementares. Exige muita organização, e constante relembrar do que devo estar a fazer mas, continuo a experimentar e a ajustar.

7. Constante avaliação do que se faz

Ter objectivos definidos de uma forma que seja fácil avaliar se estamos a cumprir os prazos de cada projecto.

Não esquecer este projecto, em detrimento do outro projecto, porque estamos mais interessados num do que no outro.

Há uns anos que guardo bolsas de tempo maiores para o esforços de escrita que as exigem. Tenho usado alguns desafios criativos, como o NaNoWriMo, para isto, fazendo sempre com que cumpram mais do que um propósito. São tempo, são obrigação, são inspiração, são conteúdos…

E, assim, tenho procurado insistir nas estratégias que me proporcionam atender a diferentes projectos em simultâneo.

Nem sempre tenho sucesso, ou concretizo aquilo a que me propus, ou cumpro objectivos.

Resumindo:

vários projectos

O que acredito que, neste momento, são mais-valias para mim:

  • não me dar espaço para desistir de um projecto, apenas porque me aborreci com ele. Posso sempre fazer uma pausa, trabalhar noutra coisa, e voltar a ele mais logo.
  • ter sempre um projecto criativo ao qual me dedicar, a todas as horas do dia, se assim o escolher.
  • manter o discurso interior reduzido, uma vez que, é impossível “falar mal” de todos os projectos que tenho em andamento, em simultâneo (entendam-me os que sofrem com um crítico interno que não desiste)
  • vou acrescentando os projectos que, de outra forma, estariam parados. Mesmo se o faço em incrementos de 5 minutos por dia.

Costumam escrever para vários projectos diferentes em simultâneo? Como articulam os esforços? Ou não gostam de escrever assim? Preferem focar-se num projecto de cada vez?

Por favor, deixem as vossas respostas nos comentários.

Obrigada e Até Breve!

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Referências:

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