NaNoWriMo. Atravesso essa ponte quando lá chegar…

atravessar a ponte

Ando há meses a pensar no NaNoWriMo de 2020. Esta coisinha aqui… sobre a qual escrevi em 2010.

“Atravesso essa ponte quando lá chegar” tem sido uma frase que muito repito. Sobre o NaNoWriMo. Sobre o manuscrito em questão. Sobre a Vida em geral…

Claro que, só tenho oportunidade de dizer “Atravesso essa ponte quando lá chegar” porque, passo muito tempo a revirar possíveis cenários futuros. Se assim não fosse, não havia qualquer motivo para me alertar da necessidade de esperar, até estar perto da ponte, para decidir se a atravesso ou volto para trás.

Isto é um padrão. Um padrão que reconheço não apenas em mim como nas pessoas que me rodeiam. Ou naquelas que, não conhecendo, gosto de ouvir falar sobre as suas vidas, carreiras e ideias…

(Gosto de ir acompanhando Tim Ferriss, Brenée BrownAndy J. Pizza, Jamie Ridler e alguns oradores dos eventos TEDx Talks.)

É a lógica do “não sabendo muito bem com o que contar, não nos comprometemos e, logo se vê quando a oportunidade se apresentar”. É o que é. Somos como somos.

Mas, acredito que padecemos todos de uma espécie de síndrome de corredor desenfreado. Vivemos sempre a correr. Preocupados com o futuro. Contemplativos do passado. A prever de quantas maneiras é que o futuro que aí vem nos pode lixar a vida. Entretanto, deixámos que o Passado e o Futuro nos comessem a vida no Presente.

Não quero dizer com isto que não temos problemas sérios, que podem variar entre graves e muito graves, em especial com a corrente realidade pandémica e as suas consequências económicas, sociais e pessoais. E, que essas situações nos trazem sentimentos de preocupação legítima.

Neste momento, acredito que tenho motivos para preocupação legítima…

Mas, este é uma espécie de estado de espírito que já tínhamos antes de toda esta cena acontecer. E, que já parece ter voltado em força, com a retoma às rotinas diárias.

(Acho que nunca presenciei tanta aceleração automobilística, com verdadeiras curvas à Fittipaldi, como nas últimas semanas. Parece que, ao volante, todos são invencíveis… já que o Covid lhes passou ao lado)

Corremos para aqui, corremos para ali. Sentimo-nos culpados pelo que fazemos. Ou, pelo que deixámos de fazer. Queremos viver aqui, mas vivemos ali. Sempre com um olho naquilo que não temos. Sempre acompanhados de estranhos, ao invés de com as pessoas que amamos. Sempre a esconder o que queremos atrás daquilo que, aparentemente, é o que temos de querer. Queremos dois metros de distância física no supermercado e é impossível de conseguir…

Parece que passamos os dias a correr na passadeira estática e nunca vamos a lado nenhum relevante. No entanto, o stress acumula.

Mas, depois vêm os momentos de reviravolta: as mudanças, as escolhas, os acontecimentos naturais… as crises. E, o que fazemos nós?

Incrementamos um pouco mais de stress, preocupamo-nos mais com o Futuro, mas não o planeamos melhor por causa disso. Relembramos mais umas historietas do Passado, mas não as encaixamos melhor, aquelas que nos fazem prender a respiração enquanto nos ocorrem. E, fazemos previsões para o futuro com base nessa cena toda que já foi.

Ou, injectamos uma série completa, com seis temporadas, num ecrã qualquer, enquanto comemos um gelado de 1kg de uma vez… e, sentimo-nos muito melhor depois disso, não é?!

Reconhecem o padrão?

Se a resposta é ‘não’. Bom, ensina-me o segredo… Se a resposta é ‘sim’… como eu te compreendo.

Não importa como libertamos o que nos preocupa mas, ter a forma correcta de o libertar, para que nos faça sentir melhor ao invés de pior. Temos opções. Apesar da nossa ansiedade se deliciar com o corte de todas elas. Temos SEMPRE opções.

Podem não ser as que desejamos ter. Podem ser difíceis de fazer. Podem aparentar ser coisas que não são. Mas temos opções e escolha. Mesmo quando tudo se complica e enfrentar o dia, de peito aberto e cara alegre, parece impossível. Temos opções.

Escolher a opção que melhor se adequa à nossa situação leva tempo. Pode requerer que trabalhemos noutros aspectos da coisa primeiro. Empurra-nos para fora da nossa zona de conforto. Por vezes, significa que temos de perder tudo, para podermos ir à procura do que queremos de verdade. (Alugo lanternas para vos guiar no vosso fundo do poço… Acreditem, é mais cómodo assim.)

Comigo o que funciona, para encaixar estas preocupações, são coisas que passam por coisas que tenho falado noutros artigos: Ser Escritor, Magia e Trabalho, Criatividade como mindset, Práticas, Livros, Superpoderes e Ela.

Mas, tenho sempre de me relembrar que “Atravesso essa ponte quando lá chegar” não significa ficar à espera de lá chegar, antecipando tudo o que pode acontecer entre aqui e lá… apesar de já se constituir como um desporto nacional por aqui.

Significa não esquecer o propósito disto tudo. Ver o que posso fazer de útil Hoje e, se não for possível mudar a situação, trabalhar para aceitar o que é. Significa Respirar para lidar melhor com o momento presente. Respirar e concentrar para continuar a respirar. Concentrar para operar nas coisas que posso mudar Hoje.

Não é fácil, mas fácil não veio no folheto de 2020… ou da vida.

Não tenho grandes soluções rápidas e mágicas para o que é, nem para o que será. Gostava de ter. Mas, para já é ter Paciência.  Respirar. Continuar a trabalhar nas coisas que tenho em mãos, ou abraçar ideias novas, para enfrentar um Inverno que se aproxima.

E, posto isto, quem vai participar no NaNoWriMo de 2020?

No meio da convulsão global, faz sentido tirar o tempo para escrever uma obra, não vos parece?! Acho que é só o que faz MAIS SENTIDO nisto tudo.

Noto que estou registada há 10 anos no website do Desafio e que não tenho ligado nenhuma ao meu perfil, ao qual podem conectar-se aqui… Parece que até já há cena no Discord para o grupo de Portugal… e, lá vou eu procurar entender outras cenas novas.

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