O que usamos quando escrevemos? Experiência pessoal

O que usamos quando escrevemos Experiência pessoal

Há uns tempos lancei um desafio:

Convido-vos a fazer uma lista de todos os passatempos que tiveram na vida. Percam uns minutos, ou mais tempo, e anotem todos aqueles de que se lembram. Destes marquem aqueles que ainda praticam. Depois, à frente de cada um deles escrevam o motivo ou motivos que vos levaram a abandonar ou manter essa actividade. No fim, releiam tudo e partilhem connosco (aqui nos comentários) aqueles que praticam e os que gostariam de voltar a praticar.

Estas são as minhas respostas a este exercício:

  1. Escrever vários tipos e géneros – artigos, poesia, ficção, não ficção, música, não-diários, listas de compras… tudo o que me aprouver – nunca abandonei.
  2. Ler – de tudo. Nunca abandonei a leitura. Mesmo quando me arrasto durante meses pelas páginas de um livro (ou vários, ao mesmo tempo, como é mais o meu costume)… Até os folhetos de publicidade são interessantes de quando em vez.
  3. Bordar – há muito tempo que não pratico nem pretendo regressar, excepto se surgir algum motivo muito forte.
  4. Criar peças em tecido – ocasionalmente, dedico-me à costura.
  5. Pintar & desenhar – regressei há uns meses e, neste momento, pratico com alguma regularidade. Paz em forma de lápis/pincel.
  6. Criar objectos em diversos materiais (adereços de festas, álbuns de fotografias…) – é só darem-me um motivo e eu começo a ficar cheia de comichões nas mãos. Tenho vindo a criar com alguma regularidade.
  7. Tetris – fui mega-viciada neste jogo. Não regressei a ele.
  8. Filatelia – De vez em quando, tiro a caixa do armário, e lá vou eu em busca do selo perdido. Gosto muito de observar e coleccionar, em especial, os mais antigos. Tenho acrescentado à colecção do meu avô.
  9. Ver filmes/TV/documentários – A minha última moda: documentários. Não sei como vivi sem Netflix!!
  10. Ouvir podcasts – Sou uma ouvinte tardia, mas lá acabei por encontrar aquilo que muitos outros já haviam descoberto. Sou uma viciada em podcasts inspiracionais.
  11. Ouvir músicamixed feelings – já ouvi muito, de tudo. Agora, escolho ser mais selectiva.
  12. Tocar guitarra/cantar – enquadra-se no acima… Cantar, faço-o para a minha miúda. Ela adora!
  13. Jogos de palavras tipo Scrabble – Que Vício!!
  14. Caminhar – Sou de fases. Ou pratico muito ou deixo por completo. E, esta é uma actividade a que vou regressando consoante a necessidade/disponibilidade diária.
  15. Fotografar objectos e paisagens – Trago sempre a fotografia no coração. Não me proponho a nada profissional. Fotografo o que me apetece, quando quero.
  16. Coleccionar citações e imagens – Há coisas que passam por nós e não nos deixam indiferentes. Essas coisas vão para os seus cantinhos aguardar um outro uso maior.
  17. Lego – O que eu adorava passar horas a construir coisas em Lego! Quem se recorda da dor de pisar uma daquelas peças quando se brincava descalço? EU.

Esqueci-me de algum? Provavelmente…

O que faço com todos estes passatempos?

Tanta coisa! Uns suportam os outros. Os que mantenho em prática regular trazem-me muita satisfação e são suporte à parte da minha personalidade, tendencialmente, mais criativa.

Outros, ficam pelo caminho, quando já não consigo encaixá-los na rotina diária. Até que passam a ficar, definitivamente, fora dela.

Outros, são apaziguamento instantâneo das maleitas do dia-a-dia.

Para além de ocupar os tempos “livres” estes passatempos são experiências. Actividades que conhecemos bem, e que usamos para fins práticos ou, totalmente, impensáveis. A sua execução esmerada pressupõe uma curva de aprendizagem. Uma prática que nos trás conhecimento. E, todo o conhecimento é essencial à prática da escrita e da vida.

Como sabemos o que se sente, quando nos picamos com uma agulha, se nunca nos picarmos com uma agulha? Como sabemos o que é devoção se nunca a vivermos? Como enriquecemos o vocabulário se não praticarmos? O hábito? O amor? A satisfação de uns momentos de paz, rodeados daquilo que nos faz felizes?

Como escrevemos sobre coisas que nunca vivemos? Como imaginamos? A própria criação não nasce do vácuo. Precisa de bases, de experiência, de cultura. E, acredito que aquilo em que gastamos o tempo, é o que nos define como pessoas e como escritores.

Façam este exercício. Partilhem connosco os vossos passatempos preferidos e, digam-nos, em que servem no vosso acto criativo?

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